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O Brasil Sorri chorando
Por Thomas Lopes   
20 de July de 2007

Hoje o Brasil ganhou Ouro, Prata, e Bronze. Desde dois dias atrás, ganhou carbono, fogo e lágrimas.

Incrívelmente, parece que o país nunca consegue estar 100%, principalmente perante a mídia. Também perante a realidade. Quando começa a melhorar seu desempenho nos esportes (convenhamos, o Brasil está melhor do que nunca nos esportes), acontecem fatos que acabam por "diminuir o brilho" do nosso querído pais.

Basta Zappear a TV, e vemos o cenário brasileiro: Uma hora se fala de PAN, outrora se fala de TAM. São duas palavras que só rimam na pronúncia, pois nesse momento da história produzem efeitos contrários, apesar de semelhantes. PAN leva as pessoas a apreensão, à torcida, ao entusiamos de ver o país conseguindo se dar bem, mostrando ser "raçudo" e bom numas poucas coisas em que realmente pode ser bom. Já a outra palavra, leva também a apreensão, mas vem também o medo da lista de nomes, pânico ao rever as imagens do acidente em Congonhas, temor em quem gostaria de viajar, e deixa bambas as pernas de quem "precisa" viajar de qualquer forma.

Começam os jogos panamericanos, o Brasil deixa os deputados descansarem, cuidarem de seus animais de estimação, empoeira-se a papelada das CPI's, perdoa-se qualquer crime... Seria esse o motivo pelos quais os jogos olímpicos foram criados? "Panis et Circensis, esse eu já conheço de longa data", diria o filósofo Sócrates se estivesse aqui torcendo pelo ouro brasileiro no vôlei feminino. Será que foi porque ele não estava aqui torcendo que o Brasil perdeu novamente o Ouro para Cuba? Será que Sócrates vai voltar e dizer: "Parabéns Brasil!" ? Muito improvável, impossível e muitos outros 'ins' que você puder coletar aí no seu buscador predileto.

Assim, vemos um Brasil Sorrindo, mas um sorriso que sangra muitas lágrimas, das quais não podemos diferenciar se de alegrias ou de tristezas.

 
Descent
Por Thomas Lopes   
20 de July de 2007
Até onde eu posso descer?
Onde será o ponto em que, não há mais volta? Me sinto num lugar onde nem a luz com todo sua velocidade pode me encontrar como se ela não me pudesse alcançar.
Vou caindo nesse buraco, não tenho asas para voar. Não vejo nada.
O fim parece não ter fim, pois, . ....
... nem o fundo do buraco parece me querer.

(Thomas J. P. Lopes, 20041124)
 
Necrófago
Por Thomas Lopes   
20 de July de 2007
Estranha essa tua vida
Repleta d’uma maldade
Torna-se necessidade
Causar-te uma ferida
Pra saciar a vontade
Tua maior vaidade
É tê-la como comida.
Execrar vitalidade
É a sua habilidade
De sua vida aborrecida.
A morte lhe dá saudade
Cemitério a cidade
Onde moras, homicida.

(Thomas J. P. Lopes, 20020502)
 
Vida polisêmica
Por Thomas Lopes   
15 de July de 2007
Tudo o que vejo, já vi
Agora tudo é passado
Não há nada mais novo
Tudo é ultrapassado.

Não há mais graça
A natureza está morta
A vida está em preto
O sentido não importa

O tempo paralisado
E vento já não sopra
A chuva já não molha
E o vazio muito assombra.

Para que lado a terra gira,
Pra que lado gira a cabeça
De um louco tolo
E esta tolice toda, esqueça!....

(Thomas J. P. Lopes, 20020430)
 
Perfeito
Por Thomas Lopes   
15 de July de 2007
Andei por vales, montanhas e estradas
Passei por lares, campanas e enrascadas
Guerreiros gigantes eu derrubei
Terras infindáveis conquistei

Descobri curas, técnicas e até a morte
Busquei ajuda, conselho, enfim a sorte
Dei volta em todos os mundos
Mergulhei em poços profundos

Voltei a minha condição humana e limitada
vi no espelho, minha face estranha e cansada
achei a perfeição em meu eu
pois sou a imagem e semelhança de Deus.

(Thomas J. P. Lopes, 20020429)
 
Olhos
Por Thomas Lopes   
15 de July de 2007
Esboroa uma lágrima:
Desliza na pele da face
E cansada pele umedece.

A situação está calma:
Não é o que parece este impasse,
Explique–me o que acontece

Olhos, janelas da alma:
Quem sabe, vocês me contassem,
Talvez ajudar-te eu pudesse.

Não veja como lástima:
Quem sabe, você os fechasse,
Mais rápido o amor viesse.

(Thomas J. P. Lopes, 20020426)
 
Sede
Por Thomas Lopes   
15 de July de 2007
Meu corpo tem sede
Minha alma tem fome
Minha alma tem fome
Meu corpo tem sede

Me corpo tem sed
Minh’ alma tem fom
Minh alma tem fom
Me corp ten sed

M  cor   te   se
Min   al   t   fo
Min   al   t   fo
M   cor   te   se

N    c    o    t    s
Mi    a     l     f
Mi   a     l      f
M       c        o       t    .....................

(Thomas J. P. Lopes, 20020429)
 
Fogueira
Por Thomas Lopes   
15 de July de 2007

Fogueira, fumaça e calor.
Brasa, fagulha e odor.
De madeira queimada,
E de gente em volta sentada.

Fogueira me lembra alguém...
Que amei e não disse porém.
Me lembra solidão e alegria
Dança de João e de Maria!

Fogueira é festa junina
Quentão, vinho, beijo de menina...
Brincadeira, travessura e dança;
Um misto de desejo e esperança.

Fogueira dura a noite inteira
E dura enquanto houver madeira
Depois se torna brasa incandescente
Dura para sempre, como amor d’agente!

Todos dormiram, todos já se foram...
Entregaram-se ao sonho, descansam....
A fogueira queima, a noite passa;
Você e eu, eu, você e a fumaça...

(Thomas J. P. Lopes, 20020426000001)
 
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